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O ruivo do metrô - Parte 1

Ah, que dia cansativo…


Era sexta-feira à noite e eu esperava no metrô. Depois de um longo dia de trabalho e da faculdade, só pensava na minha cama.


Na faculdade, acabei demorando mais do que o comum. Final de semestre, e minhas amigas resolveram se reunir depois da aula para acertar os últimos detalhes de um trabalho que precisava ser entregue na segunda. Nenhuma de nós queria falar sobre faculdade no fim de semana, então ficamos um pouco mais no campus para encerrar tudo de uma vez.


Quando finalmente terminei, me vi ali, parada na plataforma, esperando o trem. Os fones no ouvido tocavam pop rock e me transportavam para outra época; quando entrei na faculdade, cheia de planos despretenciosos e vontade de viver todas as festas. Mas o tempo passou e a vida ficou séria demais para uma garota de apenas 20 anos. O gosto do desconhecido, da aventura… foi sumindo.


Naquela madrugada fria, dentro do meu sobretudo, se alguém me visse ali, talvez nem me reconhecesse.


Embalada pela música, uma nostalgia me invadiu. Suspirei e entrei no vagão.

Procurei um lugar para sentar, jogando os materiais e a mochila pesada ao lado. Olhei ao redor: poucas pessoas. Para minha surpresa, o vagão estava quase vazio.


Fechei os olhos e me deixei levar pela melodia.


Foi como se eu fosse arrancada daquele assento e jogada dentro da minha própria imaginação. Ali, me sentia muito melhor.


Audaciosa, aventureira, curiosa. Palavras que um dia me definiram, mas que a vida, com suas responsabilidades e afazeres, havia apagado. Sem tempo para sonhar. Sem tempo para os prazeres que uma sexta-feira à noite podia oferecer.


Quando foi a última vez que beijei na boca? Que transei com alguém? Que gozei?

Uau… tempos.


Lembrei da última vez com meu ex; já não era grande coisa, estávamos no fim. Mas ainda assim era alguma coisa. Agora, naquele momento, eu não tinha nada.


Balancei a cabeça, tentando espantar os pensamentos.


Para com isso, Gabriela. Relaxa. Aproveita o trajeto. Nada de saudosismo.


E assim me entreguei à viagem.


Tempos depois, com os olhos ainda fechados, senti uma aproximação. O vazio ao meu lado foi preenchido por um peso silencioso. Alguém sentara ali.


Abri os olhos. Um homem.


Estranhei: tantos assentos vazios… por que logo ao meu lado?


Ele era jovem, um pouco mais velho que eu. Cabelos ruivos e cacheados. Não conseguia ver seu rosto; ele olhava fixamente para frente. Usava um sobretudo escuro, mãos nos bolsos. Transparecia uma beleza imponente, alta, mas seu perfil permanecia um mistério.


Meus pensamentos tentaram se inquietar de novo. Seria perigoso? Terá segundas intenções? Ou só quer sentar longe dos outros?


Cansada demais para me importar, fechei os olhos. Só queria chegar em casa.


A música voltou a me envolver.


Até que senti: a mão dele roçou minha coxa. Um toque quase imperceptível, leve como um acidente.


Meu sobretudo estava aberto, minhas pernas à mostra; usava saia.

Ele deve ter encostado sem querer, pensei.


Mas a mão voltou. Dessa vez, mais demorada.

Abri os olhos.

Vi os dedos dele pincelando minha pele, pairando sobre minha coxa.

Por um instante, não acreditei no que via.

Mas, por algum motivo, não gritei. Não me levantei.

Não estava assustada.


Ele percebeu minha falta de reação. E então colocou a mão inteira sobre minha coxa, apertando a minha pele com firmeza.

Senti o calor da palma, a segurança do toque.

Um arrepio subiu pela minha espinha, me fazendo mexer involuntariamente no assento; minhas pernas se abriram levemente.


Olhei para ele. Continuava com o olhar fixo à frente, como se nada estivesse acontecendo.

A mão dele deslizou para dentro da minha coxa, em direção à minha boceta.

Senti os dedos roçarem por cima da calcinha. Quando tocaram meu clitóris, meu corpo inteiro se arrependeu de prazer.


Me inclinei um pouco no banco, abrindo mais as pernas.

Estava molhada. Molhada pela situação inusitada, molhada por aquele desconhecido que nem me olhava no rosto. Molhada porque a curiosidade e a aventura tinham ressurgido na minha vida.

Era como se uma faísca do meu antigo eu reacendesse ali.


Como um mestre naquela arte, ele afastou minha calcinha para o lado.

Eu precisava que ele invadisse a minha boceta com os dedos. Mas ele não lia meus pensamentos. Apenas deslizava pela minha fenda, acariciando meu clitóris com a própria umidade que escorria de mim.

Era tão bom sentir tesão de novo.


Me contorcia no banco, em silêncio, sem nos olharmos; apenas entregue àquela sensação.

Ele pressionou meu clitóris, dedilhando-o como um DJ, me deixando cada vez mais louca.

Meu corpo esquentou. Minha boceta começou a pulsar.


Foi quando ele sentiu e entrou em mim. De uma vez, dois dedos.


Embalada pela música e pelas sensações intensas, enlouqueci. Soltei um gemido sem perceber.


Ele movia os dedos lá dentro, socando fundo de um jeito que eu não sentia há muito tempo.

Abri ainda mais as pernas, querendo mais. Querendo tudo.


A minha respiração ficava cada vez mais ofegante, a pele do meu rosto parecia queimar. Era como se o meu corpo estivesse em chamas e, então, de repente sinto o meu corpo se tomado pelos espasmos de um gozo intenso.


Um gozo de alívio. Um gozo por puro prazer. Um gozo que me lembrou quem eu era.


Tirei os fones dos ouvidos. Tentava me recompor.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se levantou em silêncio. Sem me olhar. Caminhou até a porta.


O trem parou. Ele desceu.


Lá fora, na plataforma, nossos olhares finalmente se encontraram.

Nunca tinha visto aquele rosto antes. Mas com certeza ficaria gravado na minha memória.


Olhei ao redor, ainda tonta. Alguns passageiros sentados mais atrás me encaravam com expressão assustada.


Talvez eu tivesse gemido mais alto do que imaginava.


Mas, em vez de vergonha, eu senti outra vez o doce prazer da palavra:

AUDACIOSA.

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